Resenhas

[Resenha] Trilogia do Adeus, João Anzanello Carrascoza

A resenha de hoje é dessa trilogia linda e muito, muito emocionante! Quis falar dos três livros ao mesmo tempo – por serem bem curtinhos e estarem super conectados, não vi necessidade em falar de cada um separadamente!

Sabe aquele livro que você vê num post do Instagram e não sossega enquanto não compra e lê?! Então, essa fui eu com essa trilogia! Mas gente, valeu muito, muito a pena! Uma dica, se alguém ai for comprar pode renovar o estoque de post-it! Ave maria, é cada quote incrível (vou colocar alguns ao longo do post)!!!

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Preciso deixar registrado que fui ás lágrimas várias vezes com esses livros, o autor tem uma sensibilidade muito grande e me tocou muito!

Nesta trilogia, João Anzanello Carrascoza oferece um panorama que se estende através do tempo para falar da relação fragmentada das famílias. No primeiro livro, Caderno de um ausente (vencedor do prêmio Jabuti 2015 e reeditado agora pela Alfaguara), o pai João escreve uma longa carta para a filha recém-nascida, Beatriz, para o caso de não estar presente no futuro dela. Já no segundo volume, Menina escrevendo com pai, é Bia quem responde, narrando a vida e o relacionamento dos dois. Por fim, em A pele da terra, Mateus, filho mais velho de João e irmão de Bia, narra sua relação com próprio o filho, outro João, durante uma peregrinação. Um olhar tríplice sobre os vínculos entre pais e filhos, e sobre como pequenas ações do cotidiano nos marcam para sempre.

A história escrita por João Anzanello Carrascoza é diferente de tudo que eu já tinha lido! Fala de amor, família, medos, inseguranças, autodescoberta com muita força e ao mesmo tempo uma escrita muito poética, leve, sensível… O autor fala bastante também sobre o poder da palavra, e o poder do silêncio com metáforas incríveis e desconcertantes, o resultado é encantador.

(…) porque as palavras dizem também outras coisas quando enunciam o que enunciam, Bia,  “eu te amo” nem sempre é um incêndio, infinitas vezes é monotonia, o que vai do coração à língua perde muito de sua seiva no caminho, como a água é menos água entre o copo e a boca, o mel é menos mel no percurso do pólen ao favo;

Se tivesse que eleger um dos três livros como o melhor, escolheria o primeiro, mas são todos muito bons!

O mistério de cada um só a ele pertence, há regiões nossas às quais nem nós mesmos alcançamos.

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O amor não é de uma vez só, o amor se torna amor aos poucos, o amor parece ser sempre o mesmo, como a paisagem, mas o amor, imperceptivelmente, aumenta. O amor aumenta e se torna, como certas dores, maior do que suportamos.

Talvez o que mais tenha me tocado nos livros é que o autor fala com muita propriedade (e com muita) intensidade sobre os sentimentos… Todos eles, o amor, a tristeza, a alegria, a dor, e cria uma identificação do leitor com a sua história e, principalmente, com os seus personagens – muito bem trabalhados, muito reais, sabem?

Eu penso: quem está dentro nunca se ausentará. Eu penso: quem tem um amor assim nunca estará só.

Recomendo muito que leiam, de peito aberto, deixem que essa leitura arrebate vocês – como fez comigo! Não se esqueçam dos lencinhos, rs

Beijos! Bom domingo pra vocês!


O AUTOR:

Foto -João Luís Anzanello Carrascoza

João Luíz Anzanello Carrascoza nasceu em 1962 na cidade de Cravinhos, interior do estado de São Paulo, e reside na cidade de São Paulo desde 1980. É redator de propaganda e professor da ECA-USP. Publicou os livros de contos “Hotel Solidão”, “O vaso azul”, “Duas tardes”, “Meu amigo João” e “Dias raros”. Carrascoza também é autor de novelas e romances para o público infantojuvenil. Recebeu alguns dos mais importantes prêmios literários do Brasil, entre eles, destaca-se o Guimarães Rosa – Radio France Internationale. Foi escolhido para representar o Brasil na Antologia de Contos Breves Latino-Americanos, publicada em mais de dez países, sob o patrocínio da Unesco. É graduado em Publicidade e Propaganda pela Universidade de São Paulo (1983), com mestrado (1999) e doutorado (2003) em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo, onde é professor titular, ministrando a disciplina Redação Publicitária. É também docente do Programa de Mestrado em Comunicação e Práticas de Consumo da Escola Superior de Propaganda e Marketing, responsável pela disciplina História das Estratégias Publicitárias. Comunicação é a sua área de investigação, com ênfase nos processos retóricos e análise do discurso da publicidade.


FICHA TÉCNICA:

Título: Trilogia do Adeus (Caderno de um Ausente, Menina escrevendo com pai, A pele da terra)

Autor: João Anzanello Carrascoza

ISBN: 9788556520364

Editora: Alfaguara

Ano: 2017

Número de páginas: 400

Área principal: Romance

Classificação: 5 estrelas

 

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11 comentários em “[Resenha] Trilogia do Adeus, João Anzanello Carrascoza

  1. Oiii Laura tudo bem?
    Fico muito contente de encontrar a sua resenha aqui, eu não conhecia esse livro e com toda certeza depois da sua resenha adoraria dar a oportunidade para realizar a leitura, quem sabe até iria me apaixonar e comprar assim que nem tu fizeste, ótimas fotos.
    Beijinhos

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  2. Oii, tudo bem?
    Não conhecia a obra, mas sempre acho maravilhosa a oportunidade de conhecer escritores nacionais. Achei a ideia da obra bem diferente, nunca li algo nesse estilo e agosto muito quando vejo livros que abordam o relacionamento entre pais e filhas, etc; já que conheço poucos livros sobre o tema. Parece ser um livro bem sensível e acredito que nos faça refletir. Gostei de saber que você adorou a leitura, com certeza vou dar uma chance ao autor.

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  3. Oi! Não conhecia a série, nem o autor, mas gostei da premissa da história e de saber que foi uma leitura bem prazerosa para você.
    Parece ser uma bem leve e fluída.
    Obrigada pela indicação! Acho legal quando tem algo diferente para ler, porque às vezes me canso desses livros que praticamente todo mundo já leu rsrs.
    Beijo :*

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  4. Pois é, vi essa trilogia no insta e fiquei com muita vontade de ler, infelizmente, ainda não comprei. ‘O autor fala bastante também sobre o poder da palavra, e o poder do silêncio com metáforas incríveis e desconcertantes’ que lindo, quero saber como ele nos brinda em palavras com essas ideias.

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