Resenhas

[Resenha] O Sol é Para Todos, Harper Lee

“Só existe um tipo de gente: pessoas”

Na resenha de hoje vamos falar do livro considerado o melhor romance século XX. Estou falando de O Sol é Para Todos o primeiro, e quase último, livro da autora americana Harper Lee.


img_20161016_133635Um livro emblemático sobre racismo e injustiça: a história de um advogado que defende um homem negro acusado de estuprar uma mulher branca nos Estados Unidos dos anos 1930 e enfrenta represálias da comunidade racista. O livro é narrado pela sensível Scout, filha do advogado. Uma história atemporal sobre tolerância, perda da inocência e conceito de justiça.
O sol é para todos, com seu texto “forte, melodramático, sutil, cômico” (The New Yorker) se tornou um clássico para todas as idades e gerações.


A leitura de O sol é para todos flui facilmente. O livro é narrado pela menina Jean Louise Finch (Scout) dos seus 6 aos 9 anos. Na primeira parte do livro nos ambientamos na cidade de Maycomb Country nos anos 30. Conhecemos seus moradores emblemáticos e a relação deles com os vizinhos e outros personagens.

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“Queria que visse qualquer coisa nela…queria que visse o que é a verdadeira coragem, em vez de pensar que coragem é um homem com uma arma nas mãos. Coragem é saber que estamos perdendo a partida, mas recomeçar na mesma e avançar incondicionalmente até o fim. Raramente se ganha, mas as vezes conseguimos. ”

Particularmente, achei a primeira parte do livro muito divertida e leve! Acredito que esse foi o objetivo da autora. A menina Scout, personagem narradora da trama, é muito carismática com seu jeito “homenzinho”, sempre usando uma jardineira ao invés de vestidos. Isso se deve ao fato de ser criada apenas pelo pai, que não impõe certas regras de etiqueta às crianças, deixando-as se vestirem, falarem e agirem da forma que bem entendem (Não entenda isso como o desmazelo de um pai. Scout e seu irmão se saíram melhores que muitas pessoas que vivem regradas desde a infância). Jean Louise (Scout) é uma menina bem agressiva enquanto seu irmão, Jem, as vezes me parece maduro demais para sua idade. Outros personagens que nos chamam atenção na primeira fase são o misterioso Sr. Boo Radley, vizinho das crianças, e a Sra Maudie vizinha e amiga de Scout.

A história da primeira parte gira entorno principalmente de Boo Radley, o vizinho que as crianças nunca viram. É bem divertido ver os irmãos e o amigo ao mesmo tempo com medo do misterioso Boo e provocando o vizinho para que saia e vejam seu rosto. Você fica morrendo de curiosidade para descobrir como é o Boo Radley.

A segunda parte da trama é mais tensa. Depois de conhecermos os personagens na primeira parte, entramos na trama central da história que trata de racismo nos anos 30. Consegui perceber claramente o amadurecimento da narradora e de seu irmão nessa fase do livro. O Pai, sr Atticus Finch, que na primeira fase parecia um homem ausente na vida das crianças, se faz mais presente e ensina a elas e a nós as virtudes de fazer o que é certo.

 “ Antes de viver com os outros, eu tenho de viver comigo mesmo. A consciência de um indivíduo não deve subordinar-se à lei da maioria”

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 “ Só porque fomos derrotados uma vez, não é motivo para não tentarmos novamente.”

Como estamos falando de racismo, pude perceber o quanto as pessoas podem ser preconceituosas, mesquinhas e nojentas. Julgar uma pessoa pela cor da pele é algo que foge da minha compreensão. Sinceramente fiquei indignada com a humanidade após ler esse livro!

 “À medida que for crescendo, e durante todos os dias da tua vida, verá homens brancos enganando homens negros, mas deixe eu te dizer uma coisa que nunca mais vai se esquecer… Sempre que um homem branco fizer algo a um homem negro, independentemente da sua natureza, posição, riqueza ou linhagem familiar, esse homem branco nada mais é senão lixo.”

É importante pontuar que o livro foi lançado em 1960 época em que muitas coisas estavam acontecendo nos EUA, com relação à segregação racial. Em 1955 a negra Rosa Parks se negou a ceder seu acento no ônibus para um branco, o que era lei, gerando uma série de protestos dos quais ascendeu Martin Luther King, pela afirmação do direito dos negros americanos.

Algumas Curiosidadesimg_20161016_133824

  • O Sol é Para Todos já vendeu mais de 30 milhões de cópias nos Estados Unidos e, no último ano, ganhou a recomendação do presidente Barack Obama, que proferiu o seguinte elogio: “Este é o melhor livro contra todas as formas de racismo”.
  • Vencedor do Prêmio Pulitzer.
  • Escolhido pelo Library Journal o melhor romance do século XX.
  • Eleito pelos leitores de Modern Library um dos 100 melhores romances em língua inglesa.
  • Filme homônimo venceu o Oscar de melhor roteiro adaptado.
  • Foi traduzido para mais de 40 línguas e é leitura obrigatória nas escolas dos Estados Unidos.

O nome original do livro, em inglês é “To Kill a Mockingbird” (Matar a “cotovia”, em tradução livre), o que não faz tanto sentido quanto o nome em português. Mockingbird é um tipo de pássaro comum nos EUA e sua existência é citada na narrativa, mas é preciso ir mais afundo para compreender o nome que Harper Lee escolheu para sua obra. Veja o trecho do livro:

“Preferia que você só atirasse em latas no quintal, mas sei que vai caçar passarinhos. Pode matar todos os gaios que quiser, se conseguir acertá-los, mas lembre-se de que é pecado matar uma cotovia.”

Foi a única vez que ouvi Atticus dizer que alguma coisa era pecado; perguntei o motivo a Mrs Maudie. “- Seu pai tem razão- ela disse- As cotovias nada fazem a não ser cantar para agradar aos nossos ouvidos. Eles não estragam o jardim de ninguém, não fazem ninhos nos milharais, apenas cantam para alegrar nossos corações. É por isso que é um pecado matá-los.”

Através do trecho podemos perceber que o nome do livro é uma metáfora para o homem negro que é condenado por toda a cidade e, na verdade, nunca fez mal a ninguém (essa é a minha percepção do título, portanto podem haver outras interpretações mais pertinentes).

Preciso dizer mais alguma coisa para convencê-los de ler “O Sol é para Todos?”


A Autora

download.jpgHarper Lee foi uma escritora estadunidense, filha de uma dona de casa e de um advogado. Seu primeiro livro, O Sol é Para todos publicado em 1960, foi um sucesso instantâneo, se tornando um dos maiores clássicos da literatura norte-americana moderna. A obra ganhou o prêmio Pulitzer e deu origem a um filme homônimo, vencedor do Oscar de melhor roteiro adaptado em 1962.O romance é baseado livremente nas memórias familiares da autora, assim como em um evento ocorrido próximo a sua cidade natal em 1936, quando ela tinha 10 anos de idade. A obra foi eleita pelo Librarian Journal como o melhor romance do século XX e está na lista de 100 melhores livros feita pela BBC. Muito reservada, não dava entrevistas há anos. Morreu numa clínica para idosos em Monroeville, em 19 de fevereiro de 2016.


FICHA TÉCNICA 

Título: O Sol é para Todos (To Kill a Mockingbird)

Autora: Harper Lee

ISBN:  8503009498

Editora: José Olympio (Grupo Editorial Record)

Ano: 2015

Número de páginas: 364

Área principal: Romance

Classificação:  5 estrelas

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8 comentários em “[Resenha] O Sol é Para Todos, Harper Lee

  1. Esse livro é muito interessante, acho que a forma que descreve o que é e como acontece é fenomenal. Acho que deveria ser leitura obrigatória nos colégios. Adorei sua resenha, tão sincera e delicada.

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