Resenhas

[Resenha] O Doador de Memórias, Lois Lowry

Olá Leitores!

Hoje a resenha é sobre uma distopia um pouco menos conhecida que, como todas as distopias, questiona um tipo de sociedade supostamente ideal e nos trás várias reflexões.

Falaremos de um dos livros que menos gostei de ler recentemente. Como eu havia prometido no post dos Livros que Li em 2015 estou resenhando os livros que li no ano passado e que ainda estavam pendentes aqui no blog. Decidi começar com “O Doador de Memórias” que foi uma grande decepção pra mim. Confesso que grande parte desta decepção é por culpa do filme. Calma, Vou explicar tudo para vocês!


Instasize_0324115456.jpgEm O Doador de Memórias, a premiada autora Lois Lowry constrói um mundo aparentemente ideal onde não existem dor, desigualdade, guerra nem qualquer tipo de conflito. Por outro lado, também não há amor, desejo ou alegria genuína.

Os habitantes de uma pequena comunidade, satisfeitos com a vida ordenada, pacata e estável que levam, conhecem apenas o presente o passado e todas as lembranças do antigo mundo lhes foram apagados da mente. 

Um único indivíduo é encarregado de ser o guardião dessas memórias, com o objetivo de proteger o povo do sofrimento e, ao mesmo tempo, ter a sabedoria necessária para orientar os dirigentes da sociedade em momentos difíceis. 

Aos 12 anos, idade em que toda criança é designada à profissão que irá seguir, Jonas recebe a honra de se tornar o próximo guardião. Ele é avisado de que precisará passar por um treinamento difícil, que exigirá coragem, disciplina e muita força, mas não faz ideia de que seu mundo nunca mais será o mesmo.

Orientado pelo velho Doador, Jonas descobre pouco a pouco o universo extraordinário que lhe fora roubado. Como uma névoa que vai se dissipando, a terrível realidade por trás daquela utopia começa a se revelar.


Você já pensou em viver em um lugar onde não exista dor? Perdas? Violência? Parece perfeito! Porém a condição para viver nesta sociedade é abdicar também das emoções boas tais como o amor, o desejo, os aromas e as cores. Você aceitaria?

Na sociedade distópica (e aparentemente utópica) de “O Doador de Memórias” conhecemos Jonas, um garoto de apenas 12 anos que é escolhido para desempenhar uma das funções mais importantes da comunidade: Ser o receptor de memórias e guardião de todos os segredos do passado da humanidade, que foram apagados da memória das pessoas que ali vivem.

Aos poucos, com a ajuda do Doador, Jonas descobre a felicidade, os sonhos, os aromas e os costumes do mundo anterior ao modelo de comunidade, mas também descobre a guerra, a morte e a dor. O questionamento que as experiências de Jonas provocam é: Valeria a pena abdicar dos pequenos prazeres da vida para viver uma vida pacata e segura em um lugar em que todos são iguais?

Um ponto positivo da trama foi a forma sólida com que Lois Lowry construiu essa comunidade e a deixou totalmente convincente. Apesar da falta de detalhes de como ela surgiu, você consegue ter uma visão geral do funcionamento dela e passa a acreditar que ela seja possível. Outro ponto positivo é o final, que vai te deixar louco de curiosidade.

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Preciso esclarecer que vi o filme antes de ler o livro (Oops!). Foi justamente isto que me deixou com vontade de conhecer a história mais a fundo. Sendo sempre os livros melhores e mais completos que os filmes, me deixei levar pela curiosidade e pelo impulso e comprei o livro. Tendo apenas 189 páginas li em aproximadamente 3 dias o que foi rápido se comparado à minha falta de interesse pela narrativa.

Confesso que o filme foi bem fiel ao livro na maioria dos aspectos porém, com a edição e a adaptação, os diretores conseguiram transformá-lo em um filme interessante e que mexe com o emocional dos espectadores. No filme os diretores abusam de imagens, efeitos e músicas lindas e tocantes que retratam a humanidade antes da existência da chamada “comunidade” presente no livro. (Sério gente, assisti duas vezes antes de comprar o livro e me emocionei nas duas! Já a leitura foi incapaz de me despertar qualquer emoção.)

Por fim, concluo que o livro não é ruim. As minhas expectativas o tornaram maçante, com falta de emoção, e totalmente previsível. Acredito que o principal motivo da minha decepção com este livro foi esperar por algo além do que vi no filme. Pensei que me emocionaria dez vezes mais, o que não chegou nem perto. A ideia central da história é ótima, mas a escrita não me empolgou.

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Além disso, o segundo livro da série (sim! Tem um segundo) não é propriamente uma continuação do primeiro, que acaba de uma maneira misteriosa. Aí você leitor fica como? Morrendo de tanta curiosidade, é claro!

Para você que não viu o filme e gosta de distopias, recomendo “O Doador de Memórias” deixando um breve aviso de que você morrerá de curiosidade para saber o que acontece depois do final, que em minha opinião foi o ponto mais alto da trama, e será terrivelmente massacrado pela possibilidade de não descobrir tão cedo.

Vocês já leram “O Doador de Memórias”? E o Filme? Me digam o que vocês acharam nos comentários.


A autora:lois-lowry.jpg

Lois Lowry tem mais de 30 livros publicados e já recebeu diversos prêmios como o Boston Globe-Horn Book, o Dorothy Canfield Fisher, o Mark Twain e a Medalha California Young Readers. Ganhou duas vezes a Medalha Newbery, da Association for Library Service to Children, uma delas por “O Doador de Memórias”, o primeiro da série formada por Gathering Blue (A Escolhida), Messenger e Son.


FICHA TÉCNICA

Título: O Doador de Memórias (The Giver)

Autora: Lois Lowry

ISBN: 978-85-8041-299-4

Editora: Arqueiro

Ano: 1993

Número de páginas: 192

Área principal: Ficção Infantojuvenil, Romance.

Classificação:    2 estrelas

beijos

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23 comentários em “[Resenha] O Doador de Memórias, Lois Lowry

  1. Poxa Jess… É bem chato quando assistimos o filme primeiro e depois rola essa decepção com o livro. Mas a história como um todo parece bem legal.
    Fiquei curiosa, mas agora não sei se leio ou se assisto “O Doador de Memórias”. haha

    bjosss

    Curtido por 1 pessoa

  2. Oii Jéssica, tudo bem?
    Eu ainda não tive oportunidade de realizar a leitura deste livro, porém é um dos meus filmes favoritos! Acredito na mensagem maravilhoso que o autor quer nos transmitir de uma maneira inconfundível.Creio também que poucas pessoas perceberam isso, espero que no livro também seja isso.
    Beijão

    Curtido por 1 pessoa

  3. Olá!
    Acredita que nunca tive vontade de ler nem o livro, nem ver o filme? O título é bem sugestivo mas acho que a história mesmo nunca chegou a me atrair/despertar atenção. Talvez porque eu não curta muito distopias, mas acho que é porque a história em si não me atraiu mesmo.
    Mas é bem chato quando criamos expectativas em cima de um livro e nos decepcionamos, né? Sempre que faço isso acabo me decepcionando, então aprendi que o melhor é não criar expectativa nenhuma kkk
    Abraços!
    http://blogladoescuro.blogspot.com.br/

    Curtido por 1 pessoa

  4. Gostei muito do filme, ainda não li o livro, mas pretendo. Sua decepção veio por querer comparar produções que são coisas totalmente diferentes, comparar cinema com os livros não é algo muito bom porque os roteiristas reescrevem a história pra ter a adaptação, logo no filme ele não tem nem mesmo a mesma idade que no livro e coisas assim. Tenta ver cada coisa como única e não relacionar as duas o tempo todo, se não sempre acontecerão as decepções kk
    ;*

    Curtido por 1 pessoa

  5. Oie! Eu já li algumas resenhas de “O Doador de Memórias” e quase todas foram negativas. Não lembro bem os motivos que fizeram tais blogueiros não gostarem, mas sei que fiquei bem desmotivada a me aventurar pelo enredo. Confesso que essa é uma das poucas vezes que encontrei uma adaptação melhor que seu livro. Por mais que o foco da sua resenha não tenha sido o filme em si, o seu comentário sobre as emoções causadas por ele me deixou ansiosa demais. Parece interessante essa ideia de viver sem dor e sofrimento, mas tendo que abrir mão das melhores coisas. Minha curiosidade está em saber como os moradores desse novo mundo vivem e o que acontece com o garoto. Talvez ler O Doador de Memórias antes de assistir não provoque tanta decepção, mas não estou muito inclinada a fazer isso 😮 Anotei a indicação para assistir em breve e, quem sabe, dar uma chance para a leitura :3

    Beijos, Fernanda Goulart
    Império Imaginário

    Curtido por 1 pessoa

    1. Obrigada Fernanda! Acho que consegui passar exatamente minhas impressões sobre a obra. Não desanime. Cada um é cada um. Se o livro foi sucesso a ponto de virar um filme, com certeza existem muitas pessoas que o admiram, o que não aconteceu no meu caso. Bjs

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  6. Olá, eu ainda não li o livro nem vi o filme, e confesso que não tenho muita vontade de ler justamente por não gostar de livros com finais que não me satisfazem e me deixam curiosa pelo que virá a seguir quando o segundo livro não traz uma resposta. Mas quem sabe um dia eu ainda não leia, né?! Ótima resenha.

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  7. Oi Jess, que chato isso…esse livro foi uma das minhas melhores leituras do ano passado…eu gostei muito da narrativa, fiquei bem emocionada com toda a história…eu também li depois de assistir o filme e confesso que isso me fez gostar ainda mais da obra, ao contrário do que aconteceu com você.

    Abraços

    Curtido por 1 pessoa

  8. Oi!
    Eu assisti esse filme ha pouco tempo e gostei bastante, mas não sei se leria o livro. Acho que só tem dois publicados no Brasil e não sei se tem mais e eu estou fugindo de historias com continuação 🙂
    Mas de qualquer forma sua resenha está ótima e me deixou bastante curiosa, se não fosse esse fato, você conseguiria me fazer ler o livro, rs

    Bjs!

    Curtido por 1 pessoa

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